Yahia Sinwar, o líder do Hamas que orquestrou os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023, foi morto durante um ataque israelense em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, confirmaram autoridades israelenses na última quinta-feira (17). A morte de Sinwar marca o fim de uma figura central do Hamas, conhecida por sua brutalidade e resistência em negociações para libertação de reféns. Um dos principais responsáveis por coordenar os ataques que deixaram milhares de mortos, Sinwar foi descrito como implacável por aqueles que o conheceram de perto, como o ex-oficial de inteligência israelense Michael Koubi, que o interrogou por mais de 180 horas.
O interrogatório de Yahia Sinwar
Michael Koubi, ex-chefe de inteligência israelense, teve a tarefa de interrogar Yahia Sinwar enquanto este estava preso. Segundo Koubi, o líder do Hamas nunca demonstrou interesse em negociar a libertação de reféns. “Ele nunca quis liberar reféns, nunca. Em nenhum momento ele quis negociar”, afirmou o ex-oficial, enfatizando a recusa persistente de Sinwar em qualquer forma de acordo humanitário.
Sinwar era conhecido por sua crueldade e pelo título de “Açougueiro de Khan Yunes”, dado pelo próprio povo palestino, após uma série de execuções de palestinos que ele considerava traidores. Capturado em 1988 por planejar o sequestro e assassinato de soldados israelenses, ele foi condenado a quatro sentenças de prisão perpétua. No entanto, acabou sendo libertado em 2011 como parte de uma troca de prisioneiros.
A trajetória de Sinwar no Hamas
Yahia Sinwar foi um dos fundadores do Hamas na década de 1980 e rapidamente se destacou dentro da organização pelo seu envolvimento em operações militares contra Israel. Sinwar liderou ações armadas que resultaram em mortes de soldados israelenses e na repressão violenta a qualquer palestino que ele considerasse colaborador de Israel. Em 2017, foi nomeado líder do Hamas na Faixa de Gaza, consolidando-se como uma das figuras mais influentes da organização.
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Sinwar foi um dos arquitetos dos ataques coordenados de 7 de outubro de 2023, que resultaram na morte de centenas de civis israelenses. Considerado uma ameaça central para a segurança de Israel, ele se tornou um dos alvos prioritários das Forças de Defesa de Israel (FDI). Sua morte foi vista como um golpe significativo contra o Hamas, mas também como um símbolo da continuidade do conflito violento entre Israel e o grupo militante.
O ataque que matou Sinwar
A operação que resultou na morte de Yahia Sinwar ocorreu em meio à ofensiva militar israelense na cidade de Rafah. Durante um confronto armado, Sinwar e seus aliados tentaram se refugiar em um edifício destruído, mas foram localizados por drones israelenses. De acordo com imagens capturadas por drones, Sinwar tentou lançar um objeto contra o drone que o filmava, antes de ser atingido por disparos de tanques.
A confirmação da morte veio por meio de um médico que realizou a autópsia, revelando que Sinwar foi atingido na cabeça por um tiro de rifle. A sua morte é considerada uma vitória importante para Israel, que busca desmantelar a liderança do Hamas e enfraquecer suas operações militares.
Consequências do conflito
Desde o início da ofensiva israelense contra o Hamas, mais de 42.000 pessoas já perderam a vida na região, em meio a uma das piores escaladas de violência entre Israel e a Faixa de Gaza. Enquanto isso, cerca de 100 pessoas continuam reféns do Hamas, e as tentativas de negociação para sua libertação enfrentam obstáculos. A morte de Sinwar pode ter um impacto significativo nas dinâmicas internas do Hamas, mas o conflito continua com alta intensidade, sem sinais claros de resolução imediata.
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A comunidade internacional, incluindo a ONU, tem expressado preocupação com o crescente número de vítimas civis e tem apelado por esforços diplomáticos para cessar as hostilidades. Entretanto, a situação no terreno permanece volátil, com o conflito entre Israel e Hamas longe de um desfecho.