Luís Neves disponível para nova nomeação como diretor da PJ

Luís Neves disponível para nova nomeação como diretor da PJ

O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, manifestou-se disponível para permanecer no cargo por mais três anos durante a cerimónia de celebração do 79º aniversário da instituição, realizada na sede da PJ em Lisboa. A presença do Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, no evento suscitou especulações sobre a possível reeleição de Neves.

Disponibilidade para continuidade

Luís Neves, que assumiu a liderança da PJ em 18 de junho de 2018, afirmou que se o seu retorno não estivesse garantido, o Primeiro-Ministro não teria comparecido à cerimónia. “Se isto não fosse para acontecer, estou convencido de que o Primeiro-Ministro teria evitado estar aqui connosco hoje”, declarou Neves aos jornalistas, referindo-se à importância da presença de Montenegro como sinal de apoio à sua gestão.

A declaração foi feita logo após a chegada do Primeiro-Ministro, que, embora tenha confirmado ter tomado uma decisão sobre o futuro da direção da PJ, optou por não revelar se essa decisão incluía Luís Neves. Montenegro indicou que a comunicação oficial sobre o novo diretor da PJ seria feita em breve. A ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, corroborou essa informação, afirmando que “temos uma decisão, o Primeiro-Ministro e eu, e será comunicada em breve”.

Avanços sob a direção de Luís Neves

Luís Neves destacou os progressos realizados sob a sua direção, como o aumento do número de inspectores e a inclusão de jovens profissionais na PJ. “Temos mais pessoas, pessoas mais novas, estamos a incluir elementos que vieram do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e estamos a criar condições em todo o país – em Braga, Faro, Setúbal, Ponta Delgada – para que as pessoas tenham as condições necessárias”, afirmou.

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Um dos pontos altos do evento foi a inauguração do Laboratório Digital Forense, um projeto que Neves esperava há muito tempo e que, segundo ele, é fundamental para o avanço da tecnologia forense na PJ. “Quando tomei posse, a PJ contava apenas com 968 inspectores, com uma média de idade a rondar os 50 anos, não havia recrutado especialistas para as áreas forenses há mais de dez anos e utilizávamos equipamentos informáticos que tinham, na sua maioria, oito anos de idade”, relembrou.

Relação com o Governo e o Ministério da Justiça

Em declarações à imprensa, Neves elogiou o apoio “pleno e inigualável” que a PJ tem recebido do Ministério da Justiça durante a atual legislatura. A relação entre a PJ e o Governo é também mediada pelo Ministério Público, uma dinâmica que Luís Neves considera fundamental para a tomada de decisões políticas. “A importância que o Procurador-Geral dá a quem está aqui é importante para a decisão do Governo [em relação à eventual reeleição]. Não há grandes tabus, não há grandes problemas. Não há absolutamente nenhuma questão”, afirmou.

O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, também fez alusão a um “novo ciclo”, associando esta ideia à recente nomeação do atual Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, no passado dia 12 de outubro. Este novo ciclo pode ser um indicativo de mudanças significativas na estrutura da Justiça em Portugal, embora ainda não se saiba se isso terá impacto na liderança da PJ.

Expectativas e desenvolvimentos futuros

Luís Neves expressou otimismo em relação ao seu futuro na PJ, considerando que a continuidade da sua liderança poderia proporcionar estabilidade e continuidade em projetos que já estão em andamento. “Acredito que é uma situação que não é um tabu para ninguém, é um assunto que não causa desconforto. Se não fosse para acontecer, estou certo de que o Primeiro-Ministro não estaria aqui”, reiterou.

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A cerimónia, que contou com a presença de várias figuras do governo e representantes da justiça, teve como objetivo não apenas celebrar a história da PJ, mas também reafirmar o compromisso da instituição em modernizar e adaptar-se às novas exigências da sociedade e do sistema judicial.

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